segunda-feira, 12 de março de 2012

Há dias...



Há alguns dias atrás, faleceu um colega meu de escola. Era mais novo do que eu e esteva sentado ao meu lado nas aulas durante algum tempo. Nunca há palavras para exprimir o quão contra natura isto é. Esteve sentado ao meu lado na mesa da escola. Ainda não é hora de ver partir companheiros de vida. 
Não deixo contudo de sentir, perante estas notícias, que é uma espécie de traição a estes que partem demasiado cedo, nós, que aqui ficamos, não aproveitarmos ao máximo a vida que a eles lhes foi tirada. Penso que a outra pessoa poderia ter sonhos, projectos (que certamente teria) e poderia com efeito fazer grandes conquistas, grandes actos... e, num ápice inesperado, isso tudo foi-se. Assim é que, num travo egoísta de consciência, experiencio, além da perda, um sentimento de me perder também a mim, reles transeunte, que não bebe a vida com a sofreguidão que lhe é merecida. E de alguma forma, isso dá-me força. E coragem. Não posso boicotar planos. Quando chegar a hora...I'll jump. Porque há toda uma vida lá fora à minha espera e, a cada palavra que escrevo, mais um segundo se evapora*

terça-feira, 6 de março de 2012

Esboços de um desejo

Rasga-se em mim a saudade de um toque que eu nunca conheci. Talvez seja só uma espécie de curiosidade felina, um desejo predatório de te atrair para o meu caos emocional. Tento aguçar-te o desejo, atiçar-te a necessidade de me perseguir para no final te desprezar. É sempre a ideia de não te poder ter que me faz querer-te cada vez mais. E, posto isto, já não sei quem é a presa no meio disto tudo. 




 Engraçado como funciona a velha sabedoria popular... é... "quem desdenha quer comprar". 

sábado, 3 de março de 2012

É que não se apanha uma única...


... verdade.
Se há coisa que odeio na vida é mentiras. 
Não vou dar uma de falsa moralista... É claro que todos as dizemos de vez em quando. Mentirinhas brancas? Nem vou entrar por aí, que toda a gente sabe ser terreno bem passível de discussão...
O problema é que há gente que faz disso vida. Há pessoas que, como eu gosto de dizer recorrendo a um a bela analogia, são tal e qual uma cebola. Nós removemos uma camada, e outra, e outra, cada uma pior que a anterior e nunca sabemos bem o que nos espera lá dentro. Há pessoas assim. E eu tive o azar de conhecer (demasiado bem) uma. Preparou-me para a vida. Com um treino destes, rara é a mentira que me escapa. 
E, ainda assim, entristece-me que seja mais uma coisa a contribuir para eu crescer amarga...

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Celebration

... 100 seguidores. Para muitos pode ser pouco . Quanto a mim só tenho a dizer: o meu muito obrigada a todos os que me lêem, aos que por aqui já passaram, ao acaso, aos que me visitam com regularidade. Muito obrigada.
Quando criei este blog, fi-lo acima de tudo por mim. É o meu espaço, o meu repositório de memórias, lágrimas, sorrisos, conquistas e paixões. Hoje, não vou dizer que isso mudou, mas a verdade é que este espaço já não e apenas o meu espaço. Obrigada a todos os que já partilharam um pouco de si aqui, as suas opiniões, os seus gostos, aos que já me deram conselhos. Para terminar, as minhas desculpas pelas demoras e eventuais esquecimentos nas respostas aos vossos comentários, mas quero que saibam que não deixo de ler um único e de me sentir inteiramente grata de cada vez que aqui deixam a vossa marca. Já me arrancaram vários sorrisos. Que assim continue*

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Pessoal e altamente deprimente


Tenho a alma às voltas à procura da maneira de te ter. É tudo em que consigo pensar nos raros momentos em que o ódio não me consome. Ultimamente odeio tudo. Tudo. E tenho feito tanta merda... Da qual só me arrependo depois. Bato portas. Atiro coisas. Esta não sou eu. Não é o ódio que me move. A verdade é que prefiro ficar no meu porto seguro a lixar-me de novo. Porque a vida é invariavelmente assim. Aqueles que amamos, aqueles em quem confiamos são os primeiros a lixar-nos. Mas não é isso que me traz aqui. És tu.
Levanto-me e tento descobrir quando foi que me perdi. A verdade é que não sei o que vi em ti. Não sei que travo doce encontrei no teu perfume. Não sei se já o disse... Se já amei esses lábios que parecem feitos de pecado. Não sei se te diga que gosto do teu jeito simples, carente..tudo o que eu não sou. Não sei se disse que te espero. Se te ame ou repudie. Mas como é que não se ama a única pessoa capaz de nos fazer sorrir?
Ás vezes acho que só quero colo.




quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Desta coisa da blogosfera

Quando criei este blog queria dar muito mais de mim. A verdade é que eu não vivo sozinha num mundinho aparte do restante que gira unica e exclusivamente em torno de mim e apesar de aqui conservar parcialmente o anonimato há muita coisa a passar-se na minha vida que não posso contar. Porque são dores que não me pertencem e eu acabo por sentir tanto ou mais que as minhas. Não seria justo partilhar algo que não é meu. Não posso contá-lo aqui. Não posso contá-lo aos meus melhores amigos. E bem.. há dias em que parece que vou rebentar por não poder partilhar estes "segredos" idiotas com alguém... Apenas desabafar. E é só isto que quero dizer, a ver se a alma alivia...

domingo, 19 de fevereiro de 2012

E começa tudo de novo

Por mais infantil que seja, prefiro acreditar que do erro que cometi ainda possa advir algo de bom. Que seja o Destino a premiar-me ou deus a "escrever direito por linhas tortas". Na verdade nada disto interessa.
Apenas isto:

"Mas que eu morra aqui
... tu sabes o quanto eu te amo
O quanto eu gosto de ti"

E o que (não) poderá ser. E o medo de sempre. Mas isso também não interessa nada. Quero-te. Agora. Quero-te TANTO.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Há muitos anos


.. que sonho recomeçar a minha vida no estrangeiro. Arriscar e partir. Não sou de grandes aventuras, é verdade. Por isso quando quero algo tenho de mergulhar de cabeça, sem pensar, sem tempo para medos. 
Com a conjuntura económica actual, o sonho passa cada vez mais a certeza.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Acabei de ver...


e depressa se tornou num dos meus filmes favoritos.. de sempre.
A romântica tonta que há em mim passou o filme todo de sorriso nos lábios*
Perfeito: o enredo, as paisagens e o Jim Sturgess, claro.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

1º dia



... de umas pseudo-férias que não durarão mais de uma semana após o exame mais tenebroso da história. Em 21 anos, nunca um teste ou exame me tinha corrido tão mal.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Palavras (sem) sentido



"Darling don't be afraid I have loved you
For a thousand years
I'll love you for a thousand more"

Esqueci-te. Sim, esqueci-te. Mas de cada vez que oiço esta música.. e um outro milhão delas, todas  iguais, todas sentidas, todas tão manchadas de lágrimas... ainda é em ti que penso. Abro os diários de uma paixão que não chegou a sair do papel e vejo como permanecem vivas naquelas folhas as promessas que fiz... Hoje posso não estar certa... E oxalá não esteja... pois "amar-te-ei para sempre" é demasiado para quem não sabe amar.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Há dias...

Há dias soube que um conhecido meu já publicou dois livros. Dois livros! Com apenas 20 anos. Não pude deixar de sentir uma pontinha de inveja, mesmo ficando feliz por ele. 
A verdade é que já por duas vezes concretizou um dos meus maiores sonhos. E, nesse momento, constatei que a vida tem passado e eu continuo na mesma. é verdade.. O tempo passa por mim e.... as ideias não passam de castelos no ar. Quantas e quantas vezes já tentei escrever... mas dou por mim a olhar para a folha em branco, à procura de uma história minimamente apetecível e depois do primeiro capítulo rabiscado não volto a olhar para aquilo. É isto o que faço, desde o meus 11 ou 12 anos. Quiçá eu não tenha nascido para escrever um livro. A verdade é que quero sempre tudo, aqui e agora. Talvez tenha nascido para escrever tal como amo: loucamente, num instante fugidio de paixão. Sim, talvez seja isso. Talvez seja o amor o motor da minha caneta. Talvez... Ou talvez seja o desamor que me conforte e me marque o ritmo.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

A ditadura da pilinha

Ou a divinização do homem pelas mulheres.

-Homem -  esse ser superior.
Se há coisa que me enfurece (e não são muitas as que o fazem) é esta ditadura execrável, bem enraizada na sociedade portuguesa (ou na parte dela que conheço).
Desde que nasci que convivo com um burburinho que não raras vezes me levou a pensar que as mulheres eram criadas não para serem pessoas, felizes, realizadas, mas aias dos seus ilustres maridos.Toda uma educação tendente a transformá-las em óptimas donas de casa, sabedoras dos seus vários ofícios domésticos, prontas a satisfazer todo e qualquer desejo do seu amo, incluindo os que ele manifesta e aqueles que só vivem nos seus sonhos mais profundos e ela tem a obrigação de adivinhar. Mas...?!
Cresci a acreditar que, sendo o homem um trabalhador exemplar, deveria ser servido pela sua esposa. Esta, quando para mais não desse, deveria tirar o pão da sua boca e da dos seus filhos, imagine-se! para garantir um bom bife ao chefe (e ainda que fosse para o rejeitar no fim...). Homem que fosse homem, deveria ser dado a vícios e jamais se abster de satisfazer os seus pequenos prazeres. Porque era homem. E trabalhador. E isso justifica tudo.
Homem que fosse homem não ajudaria nas tarefas de casa. Não faz mal algum que a sua mulher chegue a casa estafada do trabalho, aguardando-a a lide da casa, os cuidados aos filhos, o preparar da refeição, a ajuda com os trabalhos de casa dos miúdos. Não faz mal, pois ela é mulher. E ele não.
Mulher não tinha opinião. Ou tinha de calá-la. Mulher obedeceria, cegamente.
As mulheres naturalmente não teriam acesso a determinadas profissões, frequentemente altos cargos de chefia, envolvendo grande responsabilidade, uma vez que estavam reservados aos homens.
Mulher que é mulher seria mal paga, ainda que desempenhando funções idênticas.
Cada vez que me cruzo com o mais ténue vestígio deste ideário não consigo sentir mais que nojo, repulsa, ódio e vergonha.
Tenho vergonha de viver numa sociedade na qual ainda há mulheres a permitir isto. Pois somos muitas. E se ninguém se opõe é porque as mães as educaram para serem esposas e mães e donas de casa obedientes.
Antes de sermos mulheres, somos pessoas. Somos pessoas únicas, com aspirações e desejos, com projectos e sonhos a concretizar. Somos brilhantes e podemos fazer grandes feitos a nível profissional. Não nascemos com tarefas marcadas e, se optarmos por casar, no casamento partilharemos tudo. Tudo. E não apenas as suas amarguras.
Não vejo como podemos ser pressionadas a abandonar as nossas vidas, para ficar em casa a zelar pelos filhos e pelo bem-estar desse ser divinizado. Não vejo como podemos permitir que se nos anulem os sonhos. Não vejo porque tenha menos direitos do que outra pessoa, apenas pelo facto de sermos mulheres. Não nascemos com a sina traçada. Não nascemos para tolerar vícios, perdoar traições, sofrer em silêncio os maus tratos com que retribuem tamanha dedicação ou sermos meros objectos sexuais, só para não sermos mal vistas pois, afinal, eles são trabalhadores.
Somos pessoas. Pessoas com o direito de fazer escolhas. Com o direito de voar mais longe. E repugna-me ver como as próprias mulheres ainda tantas vezes nos tentam cortar as asas.
Mas, muito mais do que isso, repugna-me que se esqueçam que todas temos sentimentos. Que os sentimentos morrem, sufocados, e um dia temos apenas mulheres amargas, escravas duma dependência económica, que há já muito morreram e se permitem deambular, eternamente condenadas pelo único pecado que cometeram... nascerem mulheres. E nascerem mulheres nesta sociedade.
É horrível pensar que nascermos todos iguais não passa de um mero sonho tolo de meia dúzia de idealistas.


(há muito que desejava escrever sobre isto mas aguardei por um dia em que não me sentisse particularmente irada para me não deixar levar por sentimentos extremos)